QUEM SOMOS

HISTÓRIA DA MARICULTURA NA ILHA GRANDE

A origem da maricultura na Baía da Ilha Grande se deu no início da década de 1990, quando a empresa Biotecmar construiu um pequeno laboratório de larvicultura de pectinídeos¹ na Ilha da Gipóia. A espécie selecionada foi a Nodipecten nodosus, nativa da região, com denominação vulgar de vieira, mas que recebeu o nome importado de Coquille de Saint Jacques. Os resultados positivos, aliados ao espírito empreendedor e entusiasmo de alguns empresários e pesquisadores da região, culminaram na criação do Instituto de Ecodesenvolvimento da Baía da Ilha Grande (IED-BIG).
 
Esta iniciativa estimulou outros empresários, resultando na criação do Instituto Antônio João Abdala (IAJA) também em Angra dos Reis. Esse laboratório de larvicultura chegou a produzir sementes de vieiras contribuindo com a disseminação da atividade, porém, devido a problemas financeiros, teve suas atividades encerradas em 1997.
 
Ainda na década de 1990, o "Projeto Desenvolvimento Sustentado da Ilha Grande", componente do Programa Nacional do Meio Ambiente (PED/FNMA/MMA), deu um grande impulso à maricultura e a partir daí a atividade se desenvolveu de forma contínua. Executado pela Prefeitura de Angra dos Reis, o projeto possibilitou a implantação de 23 parques de cultivo de mexilhões para os caiçaras de Ilha Grande. Inicia-se, então, a fase de produção comercial de moluscos na BIG.
 
Acompanhando esses movimentos, o Instituto de Ecodesenvolvimento da Baia da Ilha Grande (IED-BIG), por meio do projeto POMAR, obteve recursos financeiros da PETROBRAS e Furnas Centrais Elétricas para construir um laboratório de porte na Vila Residencial da Petrobrás. O IED-BIG incorpora o "know-how" para produção de sementes e torna-se o único laboratório com produção comercial desta espécie.
 
Em 1998, o IED-BIG forneceu cerca de 60.000 sementes para os maricultores integrantes do programa de maricultura da Prefeitura Municipal de Angra dos Reis, o PED. Esta iniciativa promoveu a criação de vieira como a espécie primária de molusco a ser cultivada, tornando-se a principal atividade comercial da maricultura fluminense.

Em 1999, é criada a Associação de Maricultores da Baia da Ilha Grande (AMBIG). Desde então, a AMBIG se tornou a entidade representativa dos produtores da região, ganhando reconhecimento e respeito junto aos órgãos de regulação e fomento, graças a uma atuação diligente. 
 
Em 2009, toma-se o primeiro passo na realização de experimentos para a criação do bijupirá  (Rachycentron canadum). A iniciativa contou com a parceria da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), sobretudo por meio da atuação do oceanólogo Arthur Rombenso. Artur propôs ao empresário do ramo de turismo da Ilha Grande, Sr. Carlos Kazuo, realizar experimentos para testar o desempenho zootécnico desse peixe em tanques-rede na BIG. Soma-se a esta parceria a Prefeitura de Angra dos Reis, que também realizava alguns trabalhos de fomento da piscicultura marinha na região. Os resultados estão hoje concretizados na criação comercial do bijupirá. 



Texto escrito por André Luiz de Araújo, biólogo e especialista em ciências ambientais. Atualmente desenvolve projetos ligados a aquicultura na Fundação Instituto de Pesca do Estado do Rio de Janeiro (FIPERJ).

ASSISTA O VÍDEO INSTITUCIONAL DA AMBIG - ASSOCIAÇÃO DE MARICULTORES DA BAÍA DA ILHA GRANDE:

A FAZENDA MARINHA COSTA VERDE

Em meados dos anos 2000, a  maricultura se mostrava promissora na Baia da Ilha Grande. Nessa época, o turismo se destacava como uma das principais atividades econômicas da região. Foi nesse período, que Carlos Kazuo e Hiroko Odaka, proprietários da Pousada Nautilus (Jaconema - Ilha Grande), estiveram em Santa Catarina. Em visita as fazendas marinhas, especializadas na produção de ostra e mexilhão, vislumbraram em negócio em potencial. 
 
Em 2002, o casal, então,  ingressou na atividade, com o cultivo da macroalga (Kappaphycus avarezii). Na sequência, novas espécie foram inseridas, como o mexilhão e a ostra, e em 2004, iniciou-se o cultivo de vieiras.  No ano de 2008, a AMBIG, Prefeitura de Angra dos Reis e FURG iniciaram, em conjunto, pesquisas para criação de peixes em tanques rede, com espécies como a garoupa, xerelete, robalo e bijupirá. A fazenda Maricultura Costa Verde recebeu o experimento. Atualmente, a empresa é a maior produtora de vieira nacional e figura entre as maiores na piscicultura marinha, com o bijupirá.
 
"Em inícios de 2009, implementamos alguns experimentos para verificar o potencial da criação de bijupirá na BIG. Esse projeto científico e de extensão envolvia a FURG  (responsável pelo conhecimento científico), o Kazuo (empreendedor e responsável pela iniciativa) e a Secretaria de Pesca e Aquicultura de Angra dos Reis, sobretudo pela atuação do biólogo André Araújo (fornecimento de tanques-rede e assistência durante o experimento). Resumindo uma longa história, depois de algumas tentativas, conseguimos completar um ciclo de produção de um ano com os peixes atingindo um ótimo crescimento e peso. Esse foi o primeiro relato de engorda de peixes marinhos criados em tanques-rede próximos à costa do Brasil. Nos anos seguintes, continuamos a desenvolver mais projetos de pesquisa e extensão e cada vez mais divulgando nossa iniciativa pelo Brasil e pelo mundo.
 
Ao longo desses quinze anos, o que eram um sonho de um empreendedor e um projeto de graduação se tornou uma realidade sólida. Atualmente, a Maricultura Costa Verde produz em torno de onze toneladas de bijupirá por ano, uma quantidade significativa de vieiras, emprega e qualifica trabalhadores locais, contribui em programas de formação de estudantes de graduação e pós-graduação." 


Texto escrito por ​Artur N. Rombenso, oceanólogo e doutor em nutrição aquícola. Professor e pesquisador assistente no Instituto de Oceanografia na Universidade Autônoma de Baja California – México, coeditor e um dos fundadores da Aquaculture Brasil.